Compliance e ESG: Reflexões Sobre a Integração nas Indústrias

Nos últimos anos, os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) têm ganhado destaque no ambiente corporativo global. No Brasil, essa tendência é evidente: uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 85% das indústrias já formalizaram ou planejam implementar práticas ESG em seus processos produtivos.

No entanto, a integração efetiva dessas práticas enfrenta desafios significativos. Um estudo da KPMG apontou que 48% das empresas globais ainda não incorporaram temas de sustentabilidade e ESG em seus programas de compliance.

Por definição, compliance refere-se ao cumprimento de leis, regulamentos e políticas internas. Portanto, um bom programa de compliance deve contemplar não apenas diretrizes internas e de mercado sobre sustentabilidade e ESG, mas também o atendimento à legislação vigente. Via de regra, o cumprimento das normas ambientais é acompanhado, nas empresas, pelas equipes de meio ambiente.

A legislação ambiental brasileira prevê monitoramento ao longo de toda a operação de um projeto. As diretrizes são estabelecidas no processo de licenciamento, cujo resultado final é a Licença de Operação (LO), que apresenta uma série de exigências técnicas que devem ser observadas e atendidas periodicamente. A necessidade de renovação da LO garante o cumprimento contínuo dessas exigências ao longo da vida útil do empreendimento.

As diretrizes ambientais de sustentabilidade e ESG visam complementar aspectos ambientais que ainda não são regulados e, portanto, não foram abordados no licenciamento. Além disso, incluem a percepção de outros stakeholders, como funcionários, sociedade, investidores, fornecedores e a comunidade científica, entre outros. Dessa forma, a visão ESG complementa a dos órgãos ambientais, em vez de se apresentar como uma abordagem separada. Com essa perspectiva ampliada, são definidos aspectos materiais adicionais aos previstos na licença, bem como métricas e metas de acompanhamento. No entanto, geralmente as equipes ESG operam de forma independente, com pouco contato com as equipes de meio ambiente.

Podemos representar a estrutura observada nas empresas na figura abaixo:

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Essa fragmentação pode gerar situações críticas, como um compromisso total com frameworks ESG sem o devido atendimento às exigências técnicas básicas do licenciamento ambiental. Em casos extremos, isso pode resultar em operação ilegal, caracterizando práticas de greenwashing e comprometendo a credibilidade dos programas ESG.

Na sua empresa, como é a comunicação entre essas áreas? Nós, da ATMOSPLAN, oferecemos um mapeamento e integração dos aspectos ambientais relevantes no contexto da licença ambiental e da visão ESG.

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